Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta label:tear. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta label:tear. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Casacão no tear


Esse é prá quem gosta de tear de pregos. Achei a receita grátis num site, bem AQUI, daí eu traduzi pro nosso amado português, "última flor do lácio, inculta e bela, és a um só tempo esplendor e sepultura..." e taí a receitinha prá vocês - agora que o frio tá prometendo judiar da gente.
A tradução foi feita por mim, na caneta mesmo, depois eu digitei (cheia de pressa e mil coisas na cabeça) então não reparem eventuais errinhos...






QUER TER ESSA RECEITA PRÁ VOCÊ??? Clique em cada uma das páginas da receita que ela vai aparecer maior. Se você não conseguir ler, clique nela com o botão direito do mouse, peça para "Copiar". Daí entre no Paint do seu computador (é só clicar no Iniciar que uma das coisas que aparece é o Paint). Então peça para colar e a imagem vai aparecer na tela, no tamanho de um sulfite, pronta prá você visualizar e imprimir. Ah, não esqueça de salvar, senão você vai ter que fazer tudinho de novo. Faça isso para todas as páginas da receita.

Detalhe: A lã de grossura média que a receita menciona eu não conheço, então substituí por Família ou Mollet. No entanto, cada novelo destes tem uns 90 metros de fio, então vai levar mais lã do que está na receita (praticamente o dobro, eu acho...). Notem que, na receita, cada novelo tem 153 metros de fio. Façam as alterações necessárias e, se alguém fizer o casaco, manda uma foto prá mim que eu vou ficar muito feliz de ver... 

Se eu vou fazer o casaco? Está nos meus planos (Sua Majestade me fez um tearzão de pregos lindo, regulável...), mas eu ainda estou torcendo para me curar da minha mania de ser sovina mão de vaca muito econômica, afinal, são novelos que não acabam mais... É preciso muuuuuita vontade de ter esse casaco prá gastar tando dinheiro em uma só peça...

Bons trabalhos!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Luvinhas de crochê!

Inspiradas naquelas usadas pela personagem Maria Joaquina, da novela Carrossel! 

Lindas, femininas, delicadas - e totalmente inúteis, exceto no inverno, onde devem esquentar um pouquinho. Mas o que importa é que são lindas, femininas e delicadas. E fáceis de fazer!

Bom, vamos por partes:

Obrigada a quem sentiu saudades, quem se preocupou achando que meu navio tinha desaparecido no triângulo das Bermudas, minha carroça tinha sido atacada por apaches e eu tinha sido abduzida por marcianos: tá tudo bem, fora umas picadas dolorosas e cocentas de algum inseto desconhecido.

Quase um mês de verde, cantos de pássaros e de grilos - estaria nova em folha se já não fosse tão... bom, não vou dizer velha, mas... quase. 

Fiz 10 vestidos, 5 blusas e umas calcinhas para mim (fase egoísta que posteriormente será explicada...), 9 blusas para as bambinas, um vestido e uma regata prá uma vizinha, umas luvas, uma touca e um vestido prá neta do caseiro. Ufa! quem vê pensa que não descansei nada, mas é que eu sou adepta da filosofia do Ócio Produtivo - "Até Quando Descansa Carrega Pedra", esse é meu lema.

No primeiro dia em que a caseira apareceu prá fazer sua faxina diária, trouxe a neta - Débora, 10 anos. A garota, toda tímida, ajudou a avó (que ainda é bem jovem, tem só 44 anos de idade) no serviço e, no fim, toda tímida, perguntou se eu podia ensinar a fazer "aquelas coisas que a senhora faz com as agulhas", que é "prá eu fazer a luvinha da Maria Joaquina". 

As agulhas eu tinha. Pedi prá Dona Margarida arrumar os fios e ela trouxe um novelo de mollet, uma Cléa rosa e dois novelos de lã prá bebê verde mesclado com branco. Dei a ela o dinheiro prá comprar na cidade a tal luvinha que as amigas da menina usam, que vende em loja de 1,99 e que ela havia me dito que a mãe não comprava porque era muito cara (7 reais...) prá eu saber como era, porque eu não assisto a novela. E parti pro ensinamento.

No primeiro dia, aula de crochê. Apesar da dificuldade em aprender, senti que ela queria muito. Faz, desfaz, faz novamente. Uma correntinha de cada tamanho, esquece de fazer um ponto, faz dois no lugar errado - aquelas coisas que todo mundo faz quando começa..

No dia seguinte aparece só a avó. 20 minutos depois a menina entra pela porta da sala, sem fazer barulho, sem a sacolinha do crochê nas mãos, olhando pro chão, cumprimentando em voz baixa e passando rápido por mim. 

-"Desistiu do crochê, Débora?" - eu pergunto.

Ela, tímida como um coelhinho, fala bem baixinho que errou muitos pontos, começou várias vezes - mas toda vez errava muito - e ficou com medo de levar bronca...

-"De mim?!!! Débora, você acha que eu nasci sabendo? Que quando minha avó me ensinou eu já saí fazendo blusa, cachecol? Que eu não errei nunca? Olha, bobinha, só tem 3 coisas que eu nasci sabendo, igual todo mundo: dormir, chorar e me sujar. Até hoje faço muito bem essas coisas, mas todo o resto eu tive que aprender com alguém. E um montão de gente teve paciência demais comigo. Pode ir buscar o crochê que paciência é comigo mesmo!!!"

E assim passei tardes bem gostosas, mais escutando que falando. Todas as coisas que a alegravam e a chateavam, o menino de quem ela gosta desde os 2 anos de idade (como são precoces as crianças de hoje!) e que a trata muito mal, a chama de gorda... 

Falei prá ela o que eu penso: que a gente tem que se amar, investir em si mesma aprendendo muito, se valorizando e que, com a auto estima lá em cima, sempre vai ter quem aprecie a gente. E prá mandar cheirar meia o menino que chama ela de gorda. Ponto.

Fiz prá ela 3 teares também - e ensinei a usar... Tear feito com clipes de papel, durex e embalagem plástica de lenços umedecidos:


Com ele, fizemos esta touca (também ensinei ela a fazer o fuxiquinho...):

33 pinos, tecidos até quase acabar o novelo de lã mollet.

Tear feito com cone vazio de lã e 4 prendedores de roupa:

Com ele, fizemos esta florzinha aqui:

Outro tear, feito com palitos de sorvete:

Com ele, fizemos esta outra luvinha (22 carreiras reto, arremata, faz uma argolinha de crochê num dos cantos prá colocar o dedo, faz um biquinho e pronto!):

E quando estávamos nos entendo às mil maravilhas, ela aprendendo, eu aprendendo, a mãe dela veio pro almoço num domingo e a levou esperneando embora. 

Isso quando havia dito que ela ia ficar até o fim do mês - vá entender... 

Infelizmente a mãe dela não vai com a minha cara (eu desperto muito isso nas pessoas - elas preferem achar que eu sou nojenta, ao invés de me dar uma chance de abrir a boca...). 

E eu que já tinha planejado fazer uma surpresa prá menina, costurando juntas um vestido com um tecido que eu tinha feito uma blusa prá minha Naninha (que ela tinha adorado) - e que tinha uma sobra boa. Tinha até comprado na cidade um retalho que combinava...

Bom, fiz o vestido assim mesmo e dei prá avó dela. Sei que ela vai adorar, vai se sentir linda.


Muito fácil de fazer: pega uma regata de tecido plano qualquer e usa como molde.Faz ela mais curta, põe umas pences miúdas na frente e atrás prá dar uma leve acinturada e, nas pences da frente, coloca um cinto prá dar o laço atrás. Agrega um retângulo reto como saia, mais largo (e, prá ajustar à regata, você franze ou faz pregas, como eu fiz...). O comprimento é à gosto. Arremata com viés bem delicado, do próprio tecido e pronto!

Novamente a luvinha e sua receita:


Notaram as florzinhas? Eram duas partes de um brinquinho quebrado, que não tive coragem de jogar fora. 

Fiz ponto baixíssimo em toda a volta até cobrir o metal, deixei o strass à mostra e crochetei pétalas gordinhas em ponto pipoca em crochê. Daí preguei nas luvinhas. Lindo né?

Imagino que, daqui 40 anos, quando alguém elogiar como ela faz bem crochê, ela vai se lembrar e dizer: "Aprendi com a Dona Rosa, a dona do sítio onde meus avós trabalhavam... Nossa, faz tanto tempo!!!". 

Acabo de me tornar um pouquinho imortal...