(Ou "Os presentes de Natal II"...)
Sabe aquelas coisas de antigamente, que o tempo nos fez perder e das quais a gente sente muita falta?
Sabe aquelas coisas de antigamente, que o tempo nos fez perder e das quais a gente sente muita falta?
Médico da família.
Aquela sensação boa de que você não é só um pedaço de carne, é uma pessoa, com nome, sentimento...
Bom, quando eu era pequena (mesmo a gente sendo extremamente pobre...) tínhamos um médico especial, que cuidava da minha avó (porque meus tios, de vez em quando, pagavam a consulta...) e que operou de apendicite minha mãe, eu e minha irmã Cida (minha mãe costurou à beça prá pagar...).
O nome dele era "Doutor Pires", um velhinho careca e gordinho, super bonzinho, que atendia no Hospital da Penha... Operava primeiro, sem se preocupar em cobrar pelo serviço: sabia que minha mãe era honesta e ia toda semana levar um dinheirinho prá ele, até quitar o débito...
Quando ele morreu, no enterro, o que teve de gente chorando! Só aí a viúva se deu conta do bem que o marido fazia no mundo: enterro lotado de gente grata pela gentileza, pelas consultas, as amostras de remédios, as cirurgias - pois naquele tempo não tinha AMA, não tinha SUS... Mas tinha esse anjo de Deus na terra...
Depois dele, nunca mais...
Pelo menos até eu encontrar essa médica, que atende todo mundo da minha casa, por quem a gente tem o maior carinho e respeito.
Aniversário, Páscoa e especialmente Natal são sagrados: a gente nunca esquece dos agradinhos. E sempre que eu vou no Nipo, em consulta marcada, acabo levando um vidro de geleia ou cottage caseiro, um pão fresquinho, um bolinho...
Prá ela eu fiz esta camiseta - com tecido comprado por quilo na José Paulino:
| Malha canelada, super macia... |
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| Mas foi só saber de onde cortar as partes e tudo deu certo... |
Ela adorou, serviu como uma luva - e ela até pensou que era comprada pronta, por causa do overloque. Custou acreditar que fui eu que fiz, pois tava profissional demais... Ficou: "Ai, Dona Rosa! Sério mesmo que foi a senhora que fez? Que delícia de blusa, adorei!!!". Gente, custou R$1,50 fazer os olhos dela brilharem de alegria - pode uma coisa dessas?
Mas não foi só essa camisetinha - também fiz uma blusinha de lã super fofinha prá ela, numa cor que ela adora: cinza azulado, que mais parece azul...
Receitinha dessa postagem AQUI (só que comecei o decote "V" na mesma altura da cava, prá ficar mais aberta...).
O desenho desfiado eu fiz assim: Deixa 5 agulhas em trabalho, tira a 6ª agulha e passa prá direita. Tece duas carreiras - como a agulha continua na posição de trabalho essa agulha vazia volta a tecer e fica um buraquinho. Daí pega novamente essa 6ª agulha, tira o ponto dela prá esquerda, tira ela do trabalho (empurrando ela prá trás, prá posição de descanso), e tece 10 carreiras. Pega a agulha que tava descansando, trás de novo prá frente e coloca um ponto nela (o ponto da carreira anterior da agulha do lado) e tece duas carreiras - pronto! Agora todas as agulhas tem ponto. Então escolhe o ponto do meio de cada desenho anterior e faz a mesma coisa, alternando os furinhos e os desfiados.
Antes de passar a ferro:
Depois de passar:
Percebeu a diferença? Abre o desenho, mostra a beleza do desfiado delicado.
Além de lindo, o desfiado é econômico: gasta menos fio enquanto tece. Daí, com apenas um cone de lã Cristal (no qual paguei 11 reais) você faz uma simpática blusinha, assim fofa, largadinha, prá você se sentir aconchegada quando o tempo começar a esfriar...
Acabamentos: uma carreira de pontos baixíssimos, uma de ponto caranguejo - que dá o ar de "nózinhos" na beirada.
Os botões são pirâmides brancas - achei bonito o contraste de cor: se os botões fossem da cor da blusa, ficava comum, apagadinha. Tem que saber a hora de combinar e a de descombinar, não acham?
Preciso dizer que ela amou? Ainda ganhou bombons, pois merece.
Ah, com o tecido da camiseta azul marinho canelada eu ainda fiz duas regatas prás minhas meninas, olha a Lola usando uma delas:
Fiz duas iguais - então não carece fotografar duas vezes, né? E ainda deu pano prá fazer 4 cuecas pro meu irmão - boxer, primeira vez que fiz, usando um molde que minha mãe trouxe prá mim (copiou de uma cueca que ele tem).
Não fotografei, fiz no tapa e no sufoco da correria de Natal, nem me lembrei de que podia postar no blog... Ainda faço mais, pro futuro, se Deus quiser...
Tudo lindo, baratinho, perfeito! Bom, pelo menos prá mim, que sou modesta, não tenho fortunas prá esbanjar... Mas quem ganha aprecia, porque sai tudo bem feitinho, no capricho e no amor...
Não fotografei, fiz no tapa e no sufoco da correria de Natal, nem me lembrei de que podia postar no blog... Ainda faço mais, pro futuro, se Deus quiser...
Tudo lindo, baratinho, perfeito! Bom, pelo menos prá mim, que sou modesta, não tenho fortunas prá esbanjar... Mas quem ganha aprecia, porque sai tudo bem feitinho, no capricho e no amor...



