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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Enquanto isso...

Enquanto me arrasto pelos quartos do meu castelo, nessa tortura diária que significa ser dona de casa - cujo trabalho nunca acaba e no qual a única coisa que é abundante é a sujeira que se multiplica como fazem os coelhinhos de pó (que pena que isso não acontece com o dinheirinho que encontro nos bolsos das calças do Marildo quando as passo à ferro...) e enquanto sou forçada pelos filhos das minhas entranhas a ir nas infindáveis consultas médicas, eu ainda acho tempo de:

(I) Fazer uma luminária usando um pote vazio de alguma coisa:




Lindinho, né? Dá uma quebrada naquela luz forte da lâmpada e não permite que ninguém caia da escada durante a noite...

E para quem estiver interessada em saber: o brilho das paredes é verde porque as janelas que ficam no alto da escada tem vidros verdes - acho repousante...

Fiz a luminária assim: Com uma faquinha velha esquentada na chama do fogão eu abri um buraco na tampa e encaixei o soquete da lâmpada. Prendi bem ele com o uso de durepox. Daí é só enroscar a tampa de novo no corpo do pote, todo furado com o auxílio da faca quente novamente. Vocês que são mais caprichosas podem fazer estrelinhas com uma mini-retífica e daí fica lindo no quarto do filhinho...


(II) Recauchutei uma camiseta do Bob Esponja:

Era do meu garoto, nos tempos da entrada na adolescência. A bem da verdade ele não usou muito, apesar do tamanho era crianção de tudo e adorava Bob Esponja, tinha dó de gastar a camiseta, então ela tava semi-nova. Daí ele abandonou a coitada de vez e disse que eu podia doar e eu resolvi aproveitar prá Naninha.

Como as cavas eram muito grandes eu cortei toda a parte de cima, reduzindo a abertura delas. 

Daí resolvi fazer a frente virar as costas - colocar essa carona enorme do Bob Esponja prá trás, que chama muita atenção. Reparem que eu tinha aparado tanto a frente quanto as costas acompanhando o decote da parte de trás, que na hora de cavar a frente fica fácil...

Retirei a costura das cavas - porque camisetinha de menina é mais cavadinha... - e, feito isso, comecei a cortar o decote da frente, no olho mesmo. Fiz metade de um lado...

Dobrei a parte do decote recém cortado e cortei o outro lado igual.

Feita a arrumação da frente, bem cavadinha, volto minha atenção para as costas... Aí o decote é feito mais prá cima, que é prás alças não ficarem caindo e as cavas dos braços também são um tiquinho menos abertas - prá esconder melhor as laças do sutiã...

Ficou assim. Também dei uma leve acinturadinha na blusa, prá ficar mais feminina, pois o corte era reto.

Depois da camiseta costurada preguei em toda a volta do decote e das cavas um viés de malha preto, com ponto elástico da minha Janome 2008. Virei prá dentro e prendi com pontinhos miúdos à mão e ficou um acabamento bem delicado e bem feitinho...

E ficou assim na frente - fiz um lacinho de malha e preguei com um botão de coraçãozinho da mesma cor da camiseta - não ficou lindo?

O detalhe do lacinho fez toda a diferença...

Assim ficou nas costas - é preciso ser jovem e ter coragem prá usar, pois chama mesmo atenção. Por sorte o cabelo dela já alcançou quase o quadril, então...

(III) Levar a mãezinha velha no médico - que se eu não levo, ninguém leva... Os outros irmãos acham que minha vida é mole e que a obrigação é só minha - daí eu engano eles, pois não é obrigação: é prazer. Minha mãe pode tá velhinha, pode ser rabugentinha, briguenta mesmo - mas continua sendo meu amorzinho.

Assim não sobra quase tempo nenhum pro blog, pro Face menos ainda - me desculpem as amigas que fazem aniversário, parabéns e felicidades à todas, mas eu já durmo menos de 5 horas por dia...

(IV) Ah, ainda acabei uma blusinha de tricoline (que já tinha mais de ano tava  a meio caminho andado, guardada numa caixa de papelão...) prá Naninha, olha só que linda:



Preguei a rendinha gripure na mão mesmo, mas acho que vou tirar - sem ela acho que vai ficar mais bonita, menos chamativa a blusa (o que vocês acham?)...

Então, até outra hora, quando der tempo!


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Quem cuida da família



(Ou "Os presentes de Natal II"...)

Sabe aquelas coisas de antigamente, que o tempo nos fez perder e das quais a gente sente muita falta? 

Médico da família.

Aquela sensação boa de que você não é só um pedaço de carne, é uma pessoa, com nome, sentimento...

Bom, quando eu era pequena (mesmo a gente sendo extremamente pobre...) tínhamos um médico especial, que cuidava da minha avó (porque meus tios, de vez em quando, pagavam a consulta...) e que operou de apendicite minha mãe, eu e minha irmã Cida (minha mãe costurou à beça prá pagar...). 

O nome dele era "Doutor Pires", um velhinho careca e gordinho, super bonzinho, que atendia no Hospital da Penha... Operava primeiro, sem se preocupar em cobrar pelo serviço: sabia que minha mãe era honesta e ia toda semana levar um dinheirinho prá ele, até quitar o débito...

Quando ele morreu, no enterro, o que teve de gente chorando! Só aí a viúva se deu conta do bem que o marido fazia no mundo: enterro lotado de gente grata pela gentileza, pelas consultas, as amostras de remédios, as cirurgias - pois naquele tempo não tinha AMA, não tinha SUS... Mas tinha esse anjo de Deus na terra...

Depois dele, nunca mais...

Pelo menos até eu encontrar essa médica, que atende todo mundo da minha casa, por quem a gente tem o maior carinho e respeito. 

Aniversário, Páscoa e especialmente Natal são sagrados: a gente nunca esquece dos agradinhos. E sempre que eu vou no Nipo, em consulta marcada, acabo levando um vidro de geleia ou cottage caseiro, um pão fresquinho, um bolinho...

Prá ela eu fiz esta camiseta - com tecido comprado por quilo na José Paulino:

Malha canelada, super macia...

O retalho era gigantesco, tinha mais de 3 metros de comprimento. Tava no retalho porque tinha furos, alguém no transporte apoiou a peça em algum lugar onde enganchou e, na hora de puxar, abriu uns rasguinhos nela...

Mas foi só saber de onde cortar as partes e tudo deu certo...

E o arremate do pescoço, como eu sempre digo: viés. Costura rente no pescoço, dando uma leve esticadinha (só no viés...) e, no fim, vira prá dentro, dobra e costura à mão, com pontinhos invisíveis, como eu já ensinei mais de uma vez...

Ela adorou, serviu como uma luva - e ela até pensou que era comprada pronta, por causa do overloque. Custou acreditar que fui eu que fiz, pois tava profissional demais... Ficou: "Ai, Dona Rosa! Sério mesmo que foi a senhora que fez? Que delícia de blusa, adorei!!!". Gente, custou R$1,50 fazer os olhos dela brilharem de alegria - pode uma coisa dessas?

Mas não foi só essa camisetinha - também fiz uma blusinha de lã super fofinha prá ela, numa cor que ela adora: cinza azulado, que mais parece azul... 



Receitinha dessa postagem AQUI (só que comecei o decote "V" na mesma altura da cava, prá ficar mais aberta...).

O desenho desfiado eu fiz assim: Deixa 5 agulhas em trabalho, tira a 6ª agulha e passa prá direita. Tece duas carreiras - como a agulha continua na posição de trabalho essa agulha vazia volta a tecer e fica um buraquinho. Daí pega novamente essa 6ª agulha, tira o ponto dela prá esquerda, tira ela do trabalho (empurrando ela prá trás, prá posição de descanso), e tece 10 carreiras. Pega a agulha que tava descansando, trás de novo prá frente e coloca um ponto nela (o ponto da carreira anterior da agulha do lado) e tece duas carreiras - pronto! Agora todas as agulhas tem ponto. Então escolhe o ponto do meio de cada desenho anterior e faz a mesma coisa, alternando os furinhos e os desfiados.

Antes de passar a ferro:


Depois de passar:


Percebeu a diferença? Abre o desenho, mostra a beleza do desfiado delicado.

Além de lindo, o desfiado é econômico: gasta menos fio enquanto tece. Daí, com apenas um cone de lã Cristal (no qual paguei 11 reais) você faz uma simpática blusinha, assim fofa, largadinha, prá você se sentir aconchegada quando o tempo começar a esfriar...



Acabamentos: uma carreira de pontos baixíssimos, uma de ponto caranguejo - que dá o ar de "nózinhos" na beirada. 

Os botões são pirâmides brancas - achei bonito o contraste de cor: se os botões fossem da cor da blusa, ficava comum, apagadinha. Tem que saber a hora de combinar e a de descombinar, não acham?

Preciso dizer que ela amou? Ainda ganhou bombons, pois merece.

Ah, com o tecido da camiseta azul marinho canelada eu ainda fiz duas regatas prás minhas meninas, olha a Lola usando uma delas:


Fiz duas iguais - então não carece fotografar duas vezes, né? E ainda deu pano prá fazer 4 cuecas pro meu irmão - boxer, primeira vez que fiz, usando um molde que minha mãe trouxe prá mim (copiou de uma cueca que ele tem). 

Não fotografei, fiz no tapa e no sufoco da correria de Natal, nem me lembrei de que podia postar no blog... Ainda faço mais, pro futuro, se Deus quiser... 

Tudo lindo, baratinho, perfeito! Bom, pelo menos prá mim, que sou modesta, não tenho fortunas prá esbanjar... Mas quem ganha aprecia, porque sai tudo bem feitinho, no capricho e no amor...

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Do fim pro começo

Hoje elas são assim:









Na medida certa prás minhas meninas usarem... Mas, um dia, foram diferentes...

Quando meu adorado filho (vulgo o "Homem Mais Lindo do Universo", que também calha de ser o mais inteligente e cheiroso e por que não dizer que deixa o ar em volta dele cheio de fogos de artifício quando está no recinto...) era adolescente usava essas duas:



Adorava Bob Esponja - só tinha tamanho o moleque, pois já era alto como um guarda-roupa, mas crianção de tudo... As outras camisetas que ele tinha (amarela, vermelha, branca com laranja...) já reformei tempos atrás - uma tá AQUI, outra AQUI e a outra AQUI. Tirando a de hoje ainda resta uma, mas tá faltando imaginação - mas um dia ela chega, tudo tem sua hora...

A vermelha já tinha sido branca, daí eu amarrei, tingi, depois imprimi um desenho da internet e pintei o ying/yang/dragão - ficou lindo, ele adorava.

Mas tudo passa, tudo muda... Agora ele só gosta de camiseta lisa - e não dá prá desperdiçar camisetas de tão boa qualidade... 

Reformei prás meninas e elas adoraram.

Na vermelha emendei um pedaço de malha preta, porque senão perdia o desenho na hora de cortar - afinal tudo foi como fazer do zero, desmanchei as costuras e cortei como se fossem novas... Na cinza eu usei um restinho de malha verde muito lindo, que eu achei que ia combinar - e tava certa. 

Adoro usar viés em roupa de malha,  sempre fica lindo, não concordam? Uma máquina de costura comum, costurar a tira cortada (em qualquer sentido, pois estica de qualquer jeito...) com zig-zag, virar prá dentro e fazer pontinhos delicados à mão - não tem erro!

Usei de molde esta aqui, da Lola:


E a listrada - espia só como era feia:


Manga morcego, detalhe na frente - o conjunto em si era um monumento ao mau gosto. Comprada no Bazar do Bezerra de Menezes - nova, na etiqueta, doação de alguma loja, a UM REAL! Não dava prá perder, mesmo a blusa sendo horrorosa... O tecido é uma malha boa, tem brilhinhos (lurex), o sonho de toda aprendiz de perua. Não deu prá eliminar o recorte, mas esse detalhe até ficou bonito, no final...

Reformadas, plenamente aproveitadas, o remédio exato que o médico me receitou prá aumentar minha auto-estima, provando prá mim mesma, mais uma vez, que sou mesmo filha de Deus - também consigo fazer pequenos milagres com pouco...

Melhor: todo mundo ficou feliz, especialmente por não perder o dragão pintado pela mãezinha...

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Aprendendo sempre!

 
Não é bom demais estar vivo? Ter, a cada dia, a oportunidade de se modificar, de se acrescentar valores, sentimentos e conhecimentos?...
 
Eu adoro aprender algo novo - me renova, tira das minhas costas o peso de um bocado de anos...
 
 
 
Camisetas - quem não gosta, quem não tem algumas, mesmo que seja prá dormir? E quando elas são únicas, do nosso jeitinho, a gente pega um carinho, não pega? Lava com cuidado, coloca aquele amaciante gostoso, recolhe do varal com jeitinho e cobre o corpo, depois de um banho cheiroso - mesmo se ela já estiver cansadinha, a gente aprecia.
 
Como essa camiseta que meu garoto tem, há uns bons anos - nela havia um furinho, bem pequenininho, nas costas (e como é branca, o furinho aparecia muito fácil...); agora, só era usada prá ficar em casa mesmo.
 
Aí, visitando o blog da Helena (Minha Primeira Costura) reparei num avental de cozinha que ela fez, com o logotipo do blog - coisa mais linda! Pensei que ela tinha mandado fazer, perguntei e ela me esclareceu:
 
Comprou um papel especial (chamado Papel Transfer, que vende em grandes papelarias, como a Kalunga, a 27 reais um pacote com dez folhas...). Daí você imprime na impressora de casa (ou manda imprimir na Lan House, mas tem que ser impressora em jato de tinta, impressora a laser não serve...) o desenho que você quiser, bem caprichado - tá cheio de desenhos lindos na internet... 
 
Então faz assim:


 
Primeiro que tudo: se o desenho tiver algo escrito, você tem que espelhar a imagem (inverter), senão ela fica direitinha no papel, mas fica ao contrário na camiseta. Eu escolhi uma estampa de um anime que eu adoro, chamado "One Piece", que é um desenho japonês sobre piratas do Bem. Imprimi só em preto porque acabou a tinta colorida da impressora e o pé de dinheiro do quintal tá precisando de adubo...


 
Dei uma boa passada na tal camiseta cansada...


 
Recortei a figura, com uma folga de mais ou menos um centímetro em toda a volta. Depois é que eu me toquei: deveria ter imprimido umas florzinhas, uma borboleta, alguma coisa no restante do papel, já que ia recortar - dava prá incrementar alguma camisetinha das meninas. Odeio desperdício - e aqueles pedacinhos que se foram, se foram. Não irá se repetir, eu garanto - ainda mais a quase 3 reais cada folha preciosa...


Depois de recortada, posicionei a estampa no local onde ela ia ficar na camiseta, virando ela ao contrário (avesso prá mim)..


 
Apoiei um pedaço de papel manteiga (pode ser uma folha de sulfite) sobre a estampa, prá poder aplicar melhor, sem queimar a camiseta.


 
Passei o ferro por cima da estampa, em movimentos suaves (prá não mover a estampa de lugar e borrar o desenho) mas firmes, durante alguns minutos. Temperatura algodão. Não fique com o ferro parado muito tempo, quando for afazer a sua: fique em movimento.
 
Na embalagem do papel transfer diz que não pode usar ferro a vapor nem ferro com furinhos (o que é praticamente a mesma coisa, só que num tem água dentro e no outro tá vazio...). O meu é a vapor, mas eu usei a seco e funcionou.


 
Depois de um tempo passando, tentei levantar uma bordinha, prá ver se a estampa tinha sido transferida...


 
E tinha: se você fizer como eu, vai dar certo...


 
E ficou assim - linda, né?
 
Do lado do Shopping Penha tem uma loja que estampa camisetas dessa forma - cobra uns 25 reais por camiseta. No bairro da Liberdade, no centro de São Paulo, também faz. Mas, "Made em casa" você faz por uma fração do preço...
 
Daí você faz camiseta pros filhinhos, com desenhos do Bob Esponja, Phineas e Ferb ou seja lá qual desenho eles gostem...
 
Faz uma camiseta do filme Crepúsculo prá sua sobrinha - ou do Harry Potter, do Justin Bieber (tem gosto prá tudo nessa vida...)...
 
Faz uma camiseta pro teu marido, dizendo: "Lindo, mas já tem dona"  ou "Cuidado, a dona é brava!"...
 
Faz prá vender, fica milionária e muda prás Bahamas - Deus é quem sabe o amanhã...
 
Detalhe: tem papel transfer próprio prá camisetas escuras - por isso não precisa ficar triste se você adora camiseta preta, dá prá fazer também...
 
Então tá: aposto que vocês concordam comigo, que é bom estar vivo e ter aprendido mais essa...
 
(Detalhe: criei vergonha na cara e consertei o furinho da camiseta, com termolina leitosa - nem aparece mais, o moleque agora pode usar a camiseta prá sair de novo...).

Ando meio dodóizinha, então me perdoem as pessoas que comentaram e que eu ainda não respondi apropriadamente. Aos pouquinhos vou fazendo isso, se Deus quiser...