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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Cortina de vagens





Essa não fui eu que fiz, mas achei que merecia uma medalha. A menina que fez é minha amiga, lá no sítio em Itapetininga - ela é minha vizinha. É aquele tipo de gente que todo mundo quer ter por perto, alegre, positiva, que arregaça as mangas prá tudo que é desafio da vida. 

É super inteligente, mais ou menos assim: se morasse na cidade grande e os pais a pusessem numa boa escola, virava cirurgiã de cérebro, física quântica, artista plástica e arquiteta, tudo ao mesmo tempo. Ao invés disso, acorda sem reclamar todo dia antes do sol nascer, ordenha as vacas, coloca o leite nos latões gigantes  (que o caminhão da cooperativa vem buscar...), alimenta os animais, planta as verduras, deixa a casa brilhando, faz comida gostosa e cheirosa. 

Fez uma vez uma casinha pros filhos brincarem com bambus que ela mesma cortou do sítio enorme que ela tem. 

É ela quem decide de que cor vai ser pintada a igreja, onde vai ser construído o poço artesiano, onde é o melhor lugar para fazer os novos banheiros, quantos quilos de alimento precisa prá festa junina. 

Aprendeu comigo a fazer um tear de pregos, fez sozinha um e já o pôs prá trabalhar, fazendo cachecol, poncho, touca... Mas não para quieta: ajuntou as vagens que caíam de uma árvore que ela tem (eram verdes, depois abrem, caem as sementes, as vagens secam e ficam marrons); fez dois furinhos,um em cada ponta da vagem e acabou bolando uma cortina.

Também acha tempo prá cuidar das plantinhas. Olha estas duas, como estão lindas:




Deu de criar carneiros e ganha uma boa grana com a venda deles e da lã. Ela mesma é quem castra os animais, degola os frangos prá comer (mulher corajosa!!!).  O filhinho saiu a ela: tem uns dez anos de idade e, por conta própria, começou sua própria criação de galinhas: 70 garnizés, meia dúzia de galinhas brancas só prá por ovos, mais umas outras pintadinhas de preto e branco. Cria também coelhos. O marido sai com o trator e presta serviços o dia todo nos sítios e fazendas vizinhos - mas é ela a força da família (e sempre com um sorrisão no rosto, o cabelo meio despenteado, descalça...). Tem uns pezinhos de café no terreno: colhe as frutinhas, põe prá secar, torra e serve prá gente o café mais gostoso do mundo (sem exagero!).

Ela vive falando prá mim: "Ai, Dona Rosa, como seria bom se a senhora viesse morar prá cá... A gente podia juntar a mulherada, fazer tricô, crochê, costurar, daí montava uma cooperativa, alugava uma lojinha no shopping e ganhava um dinheirão!!!"

Quem dera... 

Mas não tem como, só Deus vai me separar dos meus filhos.... Meu maior sonho é criar todos os netos que ainda vou ter até a idade escolar (ou até tirarem carta de motorista...), contando histórias, fazendo rosquinhas, ensinando a desenhar. Que Deus me de forças prá viver esse sonho um dia...